terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O MONTE VESÚVIO E O FIM DE POMPÉIA



            O nome da cidade balneária romana de Pompéia estará eternamente ligado ao vulcão italiano Vesúvio. Uma gigantesca e inesperada erupção riscou definitivamente Pompéia do mapa da Europa Medieval. Por muito tempo, nem se podia precisar o local exato onde uma vez existiu a antiga cidade. Para muitos parecia mais um elemento da mitologia romana até que, no século XVI, o arquiteto italiano Domenico Fontana, na tentativa de abrir um túnel sob o monte La Civita para levar água do rio Sarno para a cidade Torre Annunziatta, encontrou algumas ruínas. O fato não causou qualquer sensação e a questão da velha cidade voltou a ser esquecida.
            Apenas em 1738, por ordem do Rei Carlos III, cujos domínios se estendiam sobre Nápoles, é que se começou uma escavação sistemática dirigida pelo arquiteto Rocco Giacchino de Alcubierri. Os trabalhos se concentraram na região de Herculano, outra vila atingida pela grande erupção do Vesúvio.
            Apenas dez anos depois, em 1748, quando Alcubierre voltou-se para a região onde 150 anos antes se tentou construir um túnel para água, foi encontrado algo significativo. As escavações de Alcubierre no novo local logo deram no centro de um antigo bairro comercial. Um cadáver foi encontrado, petrificado sob uma densa camada de cinza vulcânica; na sua mão, apertado entre os dedos jaziam algumas moedas de ouro. O moribundo segurou firmemente seu pequeno tesouro até morrer asfixiado com os gases tóxicos e soterrado por vários metros de cinza. Poderia ser um ladrão que se aproveitara do desespero dos demais para roubar aquelas moedas ou um pobre infeliz que economizara religiosamente sob o jugo dos impostos romanos e tentava salvar suas únicas posses. Certo é que foi condenado a agarrar entre os dedos aquelas moedas por cerca de 1500 anos.
            As escavações continuaram a descortinar vielas, casas e mosaicos romanos espetaculares, casas de banho, lojas; toda uma vida urbana esquecida.
POMPÉIA
            Localizada aos pés do monte Vesúvio a 23 quilômetros de Nápoles, era uma pacata vila de veraneio para os romanos, dotada de um intenso comércio. Belas fontes e arquitetura típica caracterizavam-na como uma estância de veraneio. Cerca de 10 mil a 15 mil pessoas tinham residência fixa no local, um número considerável para a época.
A encosta do vulcão jamais causou-lhes medo, pelo contrário proporcionava um fértil terreno sedimentar e jamais esperavam uma catástrofe da imponente montanha.
        Os habitantes de Pompéia eram uma mistura de povos itálicos que ocuparam a região por volta do século V a.C. (sanitas) e ex-militares romanos das antigas legiões que ao deixarem as guerras de conquistas, recebiam lotes de terra para se estabelecerem na região.
Pompéia, como outras cidades da região, era aliada de Roma, contudo se rebelou por volta do século I a.C., a fim de adquirir representatividade política no Império. Sendo derrotada, transformou-se em colônia e a língua latina lhe foi imposta como idioma oficial, substituindo o osco, idioma original dos pompeanos.
A vida comercial era regida pelo azeite e o vinho e sua localização geográfica, entre o mar e o rio Serno, facilitava o escoamento de seus produtos, portanto uma típica cidade romana próspera.
A GRANDE ERUPÇÃO DO VESÚVIO
            Na terrível manhã do dia 24 de agosto de 79 d.C. o Vesúvio entrou em uma violenta erupção sem qualquer aviso anterior. Os primeiros tremores, decorrentes das violentas explosões do monte, colocaram os habitantes em pânico e iniciou-se a fuga desesperada. Logo uma chuva de cinzas cobria toda a região. As cinzas vinham acompanhadas de grande quantidade de gases tóxicos. Aqueles que pensaram poder enterrar seus pertences antes de fugirem, ou que tentaram se abrigar no interior de suas casas, rapidamente foram asfixiados, enquanto milhões de toneladas de cinza precipitavam-se sobre suas cabeças.
            Explosões magníficas lançavam aos ares rochas incandescentes que retornavam ao solo, formando um inimaginável bombardeio de pedra e fogo. Cerca de 2000 pessoas padeceram nestas primeiras horas. Quem não fugiu de imediato, deixando tudo para trás encontrou o destino de se transformarem em verdadeiras estátuas, pois as cinzas que envolveram os corpos por cerca de 1500 anos se transformou numa espécie de cimento que mumificou cada ser que ali permaneceu.
            Vinte e oito horas depois dos primeiros tremores o Vesúvio se acalmou novamente, mas era tarde demais para cerca de 10% da população. As cidades de Pompéia, Herculano e Stabia deixaram de existir.
AS ESCAVAÇÕES
            Alcubierre, embora, realizasse um trabalho tenaz de escavação, não seguia uma metodologia própria para trabalho arqueológico, pois tal metodologia ainda não existia, realizando um trabalho de certo modo aleatório.
            A identificação positiva de Pompéia só foi possível, em 1763, graças ao trabalho de erudição de Joseph Winckelmann, filho de um sapateiro alemão, fascinado pelos segredos de Pompéia. Embora proibido de freqüentar o sítio arqueológico, Winckelmann subornava os capatazes do local para analisar os achados, de forma a transformar uma miscelânea confusa de relíquias num sistemático registro de seis séculos de existência do povoado.
            Apesar do dedicado trabalho destes pioneiros, apenas um século depois iniciou-se uma escavação sistemática e metódica do local, nos moldes que é realizada na atualidade, com o avanço lento da exploração, casa por casa, rua por rua, registrando-se todos os detalhes e recuperando-se o cotidiano daquela gente. Esta metodologia foi criada pelo arqueólogo italiano Gioseppe Fiorelli.
            As escavações de Pompéia revelaram a fúria violenta e inadvertida do Vesúvio, deixando sob cerca de seis metros de profundidade aproximadamente duas mil "estátuas humanas" que impressionam pela forma como essas pessoas foram pegas de surpresa pela morte.
Algumas  destas "estátuas humanas" chocam e comovem. Como a de uma mãe que diante da morte iminente só restou-lhe oferecer o peito para o pequeno filho, como uma forma de conforto e carinho, ligando-os desta forma por toda a eternidade; um cão preso a uma corrente que não teve a menor chance, mesmo que seus instintos lhe tenham avisado do perigo; jovens mulheres, dentro do templo de Dionísio que se contorciam claramente lutando contra a morte; um casal de mãos dadas selou seu matrimônio para todo o sempre.
A PRÓXIMA CATÁSTROFE
            Atualmente a região ao redor do monte Vesúvio é intensamente povoada e as autoridades italianas estudam um plano de evacuação rápida para o caso de uma nova erupção. Esta erupção não tem data marcada, poderá ser amanhã ou daqui a mais 1000 anos, mas se tiver as características da erupção de 79 d.C.,certamente causará uma catástrofe de dimensões inimagináveis.

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