Atleta de 25 anos amputou as pernas com 11 meses de vida. Daqui a duas semanas ele irá disputar o ouro olímpico em Londres
Com a presença de Oscar, as Olimpíadas de Londres ganham outro significado
Oscar Pistorius é um sul-africano de 25 anos. Ele nasceu sem a fíbula, um dos ossos responsáveis pela ligação entre o joelho e o tornozelo. Prestes a completar um ano de idade, os médicos colocaram o seguinte dilema nas mãos de seus pais: ou ele segue sua vida lidando com as dificuldades impostas pela deficiência ou amputa as pernas e tenta se adaptar às limitações que supostamente surgiriam. Aos pais, coube a difícil decisão de submeter o filho a uma operação delicada e a incerteza das conseqüências que ela implicaria. Ao filho, coube a adaptação. E Oscar se adaptou de maneira inédita, sem qualquer precedente na História do esporte.
Como utiliza as pernas artificiais desde que nasceu, Oscar não teve tempo e nem tem memórias suficientes para estranhar ou reclamar de sua condição. “Minha mãe tratava eu e meu irmão da mesma maneira: na hora de ir pra escola ela falava pra ele colocar o tênis e pra eu colocar as pernas”, ele lembra. Incentivado a praticar esportes desde pequeno, sempre gostou de jogar rugby, um dos esportes mais populares da África do Sul. Após sofrer uma lesão jogando o esporte, conhecido por não ser dos mais delicados, Oscar iniciou um tratamento que previa sessões de corrida. Com o tempo, viu que levava jeito pra coisa: menos de um ano depois, ele estava ganhando duas medalhas de ouro nos Jogos Paraolímpicos de 2004. Ele tinha 17 anos na época.
Após quebrar uma série de recordes e ganhar todos os títulos possíveis no paradesporto , Oscar começou a cultivar uma ideia em sua cabeça. Uma ideia que, para ele, representava nada além de uma etapa natural em seu ímpeto de ser o melhor atleta que poderia ser, mantra que repete em suas entrevistas. Mas, para o resto do mundo, seu plano soava como uma subversão perigosa, digna dos grandes feitos da Humanidade: ele queria correr contra competidores sem próteses, corredores com pernas.
Em 2008 ele ficou de fora das Olimpíadas de Pequim por 25 centésimos de segundo. Mas, mesmo se tivesse atingido o índice, era provável que não fosse autorizado a competir: algumas pessoas alegavam que sua prótese lhe poupava energia, fazendo-o correr mais se esforçando menos. Após uma série de polêmicas e batalhas judiciais, ele conseguiu provar que suas pernas artificiais não lhe ajudavam em nada. Em 2011, no Mundial de Daegu, na Coreia do Sul, ele atingiu seu objetivo. Não foi campeão, mas mostrou que seu sonho era viável, que não devia nada a nenhum competidor de alto nível. Agora, nas Olimpíadas de Londres, ele foi convidado pela delegação sul-africana a integrar a equipe dos 400 metros rasos e revezamento 4x400. Ele será o terceiro atleta amputado a participar dos Jogos Olímpicos. Antes dele, o ginasta Oliver Halassy e o jogador de pólo aquático George Eyser já haviam feito o mesmo, mas desde 1936 a façanha não se repetia. No atletismo é a primeira vez.
Dias depois de descobrir que seria o primeiro corredor amputado da História a competir nas Olimpíadas, Oscar Pastorius bateu um papo com a Galileu. Confira abaixo como foi a conversa:
Você já ouviu falar de Oliver Halassy e George Eyser? O que a história deles significa pra você?
Oscar Pistorius: Sim, sei que ambos foram atletas com deficiência e que fizeram coisas incríveis competindo em alto nível. São atletas para serem admirados: trabalharam duro, muito determinados.
Como foi sua infância?
Oscar Pistorius: Eu tive uma boa infância, sempre gostei muito de esportes. Eu jogava rugby pelo Pretoria Boys High School. Minha mãe tratava eu e meu irmão da mesma maneira: na hora de ir pra escola ela falava pra ele colocar o tênis e pra eu colocar as pernas.
Quem são seus ídolos no esporte e na vida?
Oscar Pistorius: Eu fui influenciado por muita gente – meus avós, por exemplo, me ajudaram muito durante minha infância. No atletismo eu admiro pessoas como Colin Jackson ( atleta britânico especialista em corridas de 110 metros com barreiras), Frankie Fredericks (primeiro medalhista olímpico da Namíbia) e Michael Johnson (corredor norte-americano quatro vezes campeão olímpico). Eles realizaram feitos incríveis e servem de inspiração. Fora do atletismo eu sou um grande fã do Valentino Rossi (motociclista nove vezes campeão mundial) por tudo que ele já conquistou.
Quais as principais diferenças técnicas e práticas entre a corrida convencional e a corrida com próteses?
Oscar Pistorius: Eu não me importo com isso. Eu corro, treino pesado e não fico olhando para a forma que outros atletas correm, com ou sem pernas artificiais.
Qual a diferença entre a sua prótese a de outros competidores?
Qual a diferença entre a sua prótese a de outros competidores?
Oscar Pistorius: Eu corro com a prótese Cheetah Flex Foot desde 2004. Essa mesma prótese é utilizada por atletas amputados desde 1996 e, hoje em dia, mais de 75% de nós usamos o mesmo tipo de perna artificial.
Você começou a correr como parte do tratamento de uma lesão ocasionada pelo rugby, certo? Como foi isso?
Você começou a correr como parte do tratamento de uma lesão ocasionada pelo rugby, certo? Como foi isso?
Oscar Pistorius: Sim, eu me lesionei e o processo de reabilitação envolvia a corrida. Com o tempo eu vi que eu levava jeito, passei a treinar e aqui estou!
Entre o início do tratamento da lesão e os jogos Paraolímpicos de 2004, quanto tempo se passou?
Entre o início do tratamento da lesão e os jogos Paraolímpicos de 2004, quanto tempo se passou?
Oscar Pistorius: Por volta de um ano. A reabilitação comeu em novembro e em setembro eu estava recebendo o ouro nos 200 metros T44 (categoria para amputados). Lembro de pisar na pista e ouvir o público...a experiência foi incrível e sempre estará no meu coração.

Atualmente, Oscar é o maior ídolo do esporte sul-africano //Crédito: Divulgação
Você quebrou o recorde paraolímpico na primeira vez que disputou os 100 metros em uma competição. Como você se sentiu?
Oscar Pistorius: Toda competição é especial e cada corrida é diferente. Ganhar qualquer medalha ou quebrar qualquer recorde sempre é motivo de orgulho.
Você costuma vencer com uma grande distância de seus rivais. Você se sente como o Usain Bolt?
Você costuma vencer com uma grande distância de seus rivais. Você se sente como o Usain Bolt?
Oscar Pistorius: Não me sinto como ninguém, a não ser eu mesmo. Tenho um grande respeito pelos meus companheiros competidores, especialmente um rival feroz como o Bolt, ele é espetacular. Eu tenho que focar na minha própria preparação. Tenho que ser o melhor atleta que eu posso ser.
Em 2008 você foi eleito o uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. O mesmo aconteceu em 2012. A que você atribui isso?
Em 2008 você foi eleito o uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. O mesmo aconteceu em 2012. A que você atribui isso?
Oscar Pistorius: Ainda estou muito surpreso com elogios como esse. Eu só tento ser um bom modelo e trabalhar duro para ser o melhor corredor possível. Espero que eu consiga inspirar as pessoas, especialmente os jovens a praticarem e se divertirem com o esporte, não importa em qual nível. Eu sou muito privilegiado por estar nessa posição e quero dar meu máximo para as pessoas que gostam de mim.
As pessoas não queriam que você competisse nas Olimpíadas porque, supostamente, suas próteses te deixariam em vantagem. Mas você não recuou, não desistiu. Você enxerga essa vitória como a segunda vez em que se viu obrigado a superar o seu limite a até o limite dos outros?
As pessoas não queriam que você competisse nas Olimpíadas porque, supostamente, suas próteses te deixariam em vantagem. Mas você não recuou, não desistiu. Você enxerga essa vitória como a segunda vez em que se viu obrigado a superar o seu limite a até o limite dos outros?
Oscar Pistorius: Sempre fui encorajado a fazer o que eu acredito. Foi cientificamente provado que minhas próteses não me garantem uma performance melhor que a dos outros atletas e eu sempre irei competir dentro dos limites impostos. Pra mim é importante competir nesse nível. Estou emocionado de fazer parte da equipe da África do Sul que vai disputer os Jogos olímpicos e Paraolímpicos e mal posso esperar para competir em Londres.
Como você definiria sua vida?
Como você definiria sua vida?
Oscar Pistorius: Você não é um incapaz pelas suas deficiências. Você é capaz pelas suas habilidades.
Para saber mais sobre Oscar Pistorius, acesse o site do atleta: oscarpistorius.com
fonte:galileu
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